Prólogo
Ainda me lembro daquele sonho como se
tivesse acabado de acordar dele.
No sonho eu me encontrava envolto de
escuridão, diante de mim existia um beco sem saída aonde um poste
com uma lampada fraca piscava a maior parte do tempo, segui em
direção a luz e ao chegar no local um estouro, a lampada não
resisti e faíscas caíram do topo do poste.
Nesse exato momento um fósforo é
riscado no completo breu, algo leva o fósforo até a altura de sua
boca própria boca e então um cigarro é aceso, o fósforo é
lançado e flutua pelo ar até que uma explosão acontece, um clarão
faz com que instintivamente eu leve o braço na altura dos olhos para
protegê-los da claridade.
Após alguns segundos a luz fica mais
fraca e então abaixo meu braço, minha visão ainda está um pouco
embaçada mas logo consigo enxergar o cenário, a fonte de luz é um
grande tambor em chamas e o que causou isso era aparentemente um
homem alto e magro coberto de preto, ele usava sapatos pretos, calças
pretas, uma camisa de manga comprida preta, um chapéu preto e óculos
escuros. O pouco que se enxergava de sua pele mostrava que se tratava
de alguém muito velho, suas mãos tinham manchas pretas e amarelas,
provavelmente causadas pelo fumo.
“Seja bem vindo ao jogo player.”
Disse o homem que ao final da frase
abriu um largo sorriso falso e literalmente amarelo, definitivamente
era um dependente do tabagismo.
“Player? Jogo? Do que você está
falando?”
“Você foi escolhido para participar
de um grande jogo de apostas, eu sou um dos apostadores e estou aqui
para lhe oferecer uma nova vida.”
“Eu não gosto de apostas, e porque
eu iria querer uma nova vida?”
O homem joga fora a bituca do cigarro
que havia acado e acende outro logo em seguida.
“Hahahahaha... Mas é claro que você
deseja uma nova vida, eu te conheço bem e sei o que aconteceu entre
sua namorada e você, sei que está cansado de viver em um mundo de
mentiras e é isso que estou lhe oferecendo, um mundo aonde ninguém
mais mentirá para você!”
“O que você sabe sobre...”
O homem se aproximou de mim e fez o
tipico sinal para que eu ficasse quieto. Então ele retirou quatro
cartas de baralho do bolso da sua camisa, embaralhou as cartas, fez
um leque e estendeu-as diante de mim com a face do baralho virado
para baixo.
“É só escolher uma carta, cada
jogador possui uma e no momento apenas essas estão disponíveis.”
“Mas que jogo é esse?”
Um barulho que veio de trás de mim
chamou a minha atenção e fez com que eu direcionasse o meu olhar
para lá imediatamente, de longe postes começavam a ligar vindo em
nossa direção.
“Vamos logo garoto, o tempo está
acabando, escolha a carta e viva em um mundo verdadeiro.”
Fiquei sem saber o que fazer, não
tinha certeza do que estava me metendo, luz estava se aproximando
cada vez mais rápido, então no ultimo instante eu peguei a carta.
“Ás de espadas?”
“É uma ótima carta, seja bem vindo
ao Forseti Project!”
O homem virou fumaça e sumiu diante
dos meus olhos, a carta que eu segurava em minha mãos começou a
pegar fogo, tentei soltá-la mas foi em vão, ela estava grudada em
meus dedos e logo o fogo passou para minhas mãos e se alastrou por
todo o meu corpo.